01
Biologia
Fig. 1 — T. cruzi via fezes do barbeiro
Doença de Chagas
a coceira é o verdadeiro vetor
O barbeiro pica, defeca perto da picada, e é a coceira — não a picada em si — que empurra o protozoário Trypanosoma cruzi para dentro do corpo. Por isso a doença também se espalha por transfusão, transmissão congênita e, mais recentemente, por alimentos contaminados como açaí e caldo de cana.
Na fase aguda o parasita circula livremente no sangue. Na fase crônica ele praticamente desaparece da circulação — mas o estrago continua, causando megaesôfago e megacólon.
o que costuma pegar
Se a parasitemia crônica é baixa, o dano dos órgãos não vem do parasita atacando diretamente — vem da resposta imune do próprio corpo, que continua destruindo os neurônios do plexo mioentérico muito depois de o parasita ter recuado.
02
Biologia
Fig. 2 — granuloma isolando o bacilo
Tuberculose
a bactéria fica presa, mas viva
O bacilo de Koch tem uma parede rica em lipídios — resistente a dessecação e a boa parte dos antibióticos comuns. Quando o sistema imune é competente, macrófagos ativados por linfócitos Th1 (via interferon-γ) cercam a bactéria e formam um granuloma: a infecção fica contida, sem sintomas, por anos — a chamada tuberculose latente.
o que costuma pegar
Latente não é curada. Se a imunidade cai — como em infecção por HIV — a contenção do granuloma falha e a tuberculose reativa. É esse mecanismo, não a "força" da bactéria, que explica os surtos em pacientes imunossuprimidos.
03
Biologia
Fig. 3 — anticorpo "abrindo a porta" (ADE)
Dengue: quando o anticorpo trai
a segunda infecção pode ser pior que a primeira
A dengue tem quatro sorotipos. Infectar-se por um deles gera anticorpos específicos — mas não totalmente eficazes contra os outros três. Numa segunda infecção, por sorotipo diferente, esses anticorpos não neutralizam o vírus: eles se ligam a ele e, paradoxalmente, facilitam sua entrada em células imunes através de receptores Fc.
o que costuma pegar
Esse fenômeno se chama facilitação dependente de anticorpos (ADE). É por isso que a segunda infecção por dengue costuma ser clinicamente mais grave — o oposto do que se esperaria de uma resposta imune "mais treinada".
04
Biologia
Fig. 4 — resposta secundária (2ª exposição)
Soro × Vacina
duas formas de dar anticorpo ao corpo
O soro injeta anticorpos prontos — imunização passiva, proteção imediata mas curta, sem memória. A vacina apresenta um antígeno para o corpo produzir sua própria resposta — imunização ativa, mais lenta para agir, mas com memória de longo prazo.
o que costuma pegar
O gráfico da 2ª exposição (real ou por vacina) tem assinatura própria: IgM sobe pouco, IgG sobe rápido e alto — é a memória imunológica em ação. Numa 1ª exposição, IgM domina no início e IgG demora a aparecer.
05
Biologia
Fig. 5 — Gram+ (esq.) × Gram− (dir., LPS em cima)
Coloração de Gram
a parede que decide o antibiótico
Bactérias Gram-positivas têm uma parede espessa de peptidoglicano que retém o corante roxo (cristal violeta). Gram-negativas têm parede fina, mas ganham uma membrana externa extra, coberta por lipopolissacarídeo (LPS) — e por isso ficam rosadas ao final da técnica.
o que costuma pegar
Essa membrana externa dificulta a entrada de certos antibióticos, tornando Gram-negativas mais resistentes. E o LPS (parte lipídio A) funciona como endotoxina — é ele o responsável pelo choque séptico em infecções graves por Gram-negativas.
06
Biologia
Fig. 6 — conjugação: plasmídeo via pilo
Conjugação bacteriana
como a resistência a antibióticos viaja
Bactérias trocam material genético sem se reproduzir: por transformação (absorvem DNA solto do ambiente), transdução (um vírus carrega o gene sem querer) ou conjugação — a mais eficiente, em que duas bactérias se conectam por um pilo e uma transfere um plasmídeo para a outra.
o que costuma pegar
Genes de resistência a antibióticos costumam estar em plasmídeos. A conjugação é a via mais associada à disseminação rápida dessa resistência entre bactérias diferentes — inclusive entre espécies distintas.
07
Biologia
Fig. 7 — forma dormente no fígado
Malária
a recaída que se esconde no fígado
O mosquito Anopheles fêmea injeta esporozoítos que invadem o fígado, se multiplicam e depois rompem para infectar hemácias — é aí que ocorrem os ciclos de febre. Formas sexuadas do parasita são sugadas por outro mosquito, fechando o ciclo.
o que costuma pegar
Plasmodium vivax (e P. ovale) formam hipnozoítos — versões dormentes que ficam escondidas no fígado e podem reativar meses ou anos depois, causando recaída. P. falciparum não faz isso.
08
Biologia
Fig. 8 — conversão lisogênica
Bacteriófagos
quando o vírus torna a bactéria mais perigosa
No ciclo lítico, o fago injeta seu DNA, sequestra a maquinaria da bactéria, produz cópias e rompe a célula. No ciclo lisogênico, o DNA viral se integra ao cromossomo bacteriano como profago e é copiado passivamente a cada divisão, sem matar a célula — até algum gatilho reativar o ciclo lítico.
o que costuma pegar
Um profago pode carregar genes que a bactéria passa a expressar — conversão lisogênica. É assim que a bactéria da difteria só produz a toxina que causa a doença quando está infectada por um fago específico.